Está chovendo lá fora, e é nessa hora que todas as lembranças vêm à tona.
Sejam bons momentos ou não, sempre me recordo das muitas fases que já vivi.
Engraçado, ficar olhando a chuva cair pelos vidros da minha janela, e pensar que todas as minhas preocupações poderiam ser levadas por ela, as más recordações serem apagadas, ou as lágrimas me lavarem como as águas lavam a calçada e dão lugar a novas gotas que continuam escorrendo e renovando todas as coisas...
Mas tanto faz, chorar ou sorrir, ou os dois ao mesmo tempo, a chuva ajuda a pôr pra fora os sentimentos, o que tá preso, as angústias se intensificam assim como as alegrias. Tudo fica macro, toma outra proporção, e é bom, uma chuvinha de vez em quando, pra molhar a terra que está seca, aguar as fores que estão ameaçando murchar, esfriar a cabeça, acalmar os ânimos, ou também lembrar que ainda se tem sentimentos e se pode chorar, sentir dor. É a prova de que está vivo o coração e na cabeça o pensamento ainda funciona.
Quero abrir a porta e sair pra me banhar, deixar a chuva molhar, lavar, me levar pra onde for, pular, abrir a boca e beber um tiquinho dessa água que sem dúvida parecem lágrimas de um céu que chora, pela falta das estrelas ou da lua que se esconde. Sei lá, vai saber! Dizem que os deuses choram, ou são os anjos lavando as escadas da entrada do paraíso. Pode ser que Deus esteja devolvendo as gotas derramadas em oração, inundando a Terra de bênçãos ou castigando o homem através da natureza. Nunca vou saber de verdade por quê chove. Mas que chova então, que inunde a vida, que faça sorrir, prosperar o solo, florir!
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