Eles haviam se encontrado depois de muito tempo.
Foi um encontro rápido, que aconteceu depois que ela saiu do barzinho da esquina e ia em direção à rua Augusta. Disse parecer não acreditar, ele estava tão mudado, havia cortado o cabelo e deixado a barba crescer, também parecia mais maduro, maduro até demais pra idade que ainda tinha. Era quase noite quando ele andava lentamente pela calçada e se deparou com uma figura conhecida. Arregalou-se os olhos de ambos, o sorriso abriu-se como da primeira vez que se viram, ela atrás do balcão e ele sentado na mesa. Uma batida mais forte e rápida começou a surgir no peito. Como poderia ter se passado tanto tempo e ainda sentir como estavam sentindo naquele momento?
- Você ainda trabalha lá? Perguntou o rapaz.
Esse não era o melhor inicio de conversa, mas ele não sabia como agir, suas mãos estavam frias e ensaiavam um abraço demorado, daqueles que as mãos alisam as costas suavemente.
- Não. Não trabalho mais lá. Desde que você se mudou pra outra cidade e deixou de frequentar, eu mudei, mudei de vida, de rumo.
Riram como crianças bobas. Ele se atreveu a dar-lhe o abraço que esperava, o abraço do qual ele lembraria pro resto da vida.
Ela estava com um semblante cansado, meio caído, meio triste com a vida.
Ele irradiava beleza, ternura e vida. Aquele encontro tinha mesmo que acontecer!
Conversaram por longas horas, enquanto caminhavam a passos lentos pela cidade, sem destino algum.
Ele falou das suas realizações e do quanto foi bom pra ele toda aquela mudança, ela ria a cada palavra engraçada e feliz que ele dizia. Enquanto isso ela chorava por dentro, mas tentou disfarçar.
Então chegou a vez dela falar. E ela preferiu calar.
Meio sem jeito ele perguntou o que havia acontecido com aquela moça alegre, e o porque de todo aquele silêncio.
Confessando com nós na garganta e com o peito quase explodindo, ela falou. -Ainda sinto saudades suas. Ele sentiu seus olhos ficarem mais úmidos do que o normal. Pegou na mão fina e delicada dela, olhando-lhe nos olhos disse: - vim te buscar!
Naquele fim de tarde fria, toda a dor dela havia sido esvaziada por uma frase, e todas as lembranças haviam sido vivificadas na memória.
Um amor assim, diferente, desprendido, sem interesses, sem pretensão. Sem desculpas, sem nãos.
A gente não encontra em toda rua, nem em um barzinho qualquer, só na rua Augusta.
sábado, 21 de dezembro de 2013
domingo, 15 de dezembro de 2013
So Sorry
Tem momentos que eu me pego pensando como seria se eu tivesse escolhido arriscar...
Como seria estar com você, como seria se eu pudesse estar agora.
Não sonho mais acordada como antes, nem cultivo pensamentos a seu respeito, apenas fico lembrando do que é sentir, e de como isso era bom, porque hoje já não sinto mais. Tenho saudades disso. Mas não de você.
Não te encaixaria novamente aqui, você já não caberia, o vazio que deixou ficou maior a medida que passou o tempo, jamais nem você nem eu conseguiríamos concertar isso.
Mas eu gostava de suspirar ao falar teu nome, gostava de sentir meus olhos se encherem, de ter o coração batendo forte dentro de mim, da voz falha quando atendia o telefone, e do nervosismo que me causa toda vez que dizia que vinha me ver. Hoje não acontece assim. Mas eu queria que acontecesse, só que dessa vez com alguém que não deixasse vagas, mas que preenchesse elas.
A verdade é que dói, toda vez que a gente lembra. E me dói ver que me tornei incapaz de sentir de novo.

Você não merece que eu sinta por você. E eu não sinto mais. Mas sinto muito não poder sentir o que um dia senti com você.
Como seria estar com você, como seria se eu pudesse estar agora.
Não sonho mais acordada como antes, nem cultivo pensamentos a seu respeito, apenas fico lembrando do que é sentir, e de como isso era bom, porque hoje já não sinto mais. Tenho saudades disso. Mas não de você.
Não te encaixaria novamente aqui, você já não caberia, o vazio que deixou ficou maior a medida que passou o tempo, jamais nem você nem eu conseguiríamos concertar isso.
Mas eu gostava de suspirar ao falar teu nome, gostava de sentir meus olhos se encherem, de ter o coração batendo forte dentro de mim, da voz falha quando atendia o telefone, e do nervosismo que me causa toda vez que dizia que vinha me ver. Hoje não acontece assim. Mas eu queria que acontecesse, só que dessa vez com alguém que não deixasse vagas, mas que preenchesse elas.
A verdade é que dói, toda vez que a gente lembra. E me dói ver que me tornei incapaz de sentir de novo.

Você não merece que eu sinta por você. E eu não sinto mais. Mas sinto muito não poder sentir o que um dia senti com você.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Quebrar

Não vou chorar dessa vez.
Não vou me quebrar na sua frente, pra você ver e sentir pena de mim, apenas pena.
Não vou deixar que a raiva me consuma e nem vou permitir que você suma, sem me pagar pelo que fez.
Não vou esquecer, juro que não vou esquecer.
Não vou deixar pra lá e fingir que você me faz feliz.
Não vou calar, nem assistir essa cena.
Não vou embora sem desabafar e não vou voltar nem que você venha.
Não sou boa o suficiente, mas você esqueceu que nunca foi perfeito.
Não quero mais seu abraço espinhoso, nem o amargo do seu beijo.
Sinto muito, querido não vai ser dessa vez como das outras vezes. Não quero mais te ver satisfeito enquanto eu sofro. Não quero mais perder meu amor com você. Não vou me sentir mal pra você se sentir bem.
...É desperdício de tempo, é falta de amor próprio, é deixar de viver.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Porta aberta

Quando o coração não está aberto e preparado, nem mesmo ser amado é possível.
Por mais que gostem de nós ou que verdadeiramente nos ame, é difícil aceitar, recolher, retribuir amor quando se sabe que não chegou o tempo, não é o melhor momento e que o coração não deu o sinal verde pra seguir.
Ai a gente para e pensa: - será mesmo que existe o encaixe perfeito, a pessoa certa? Ou estamos perdendo tempo e desperdiçando oportunidades...?
Nunca saberei até encontrar a pessoa certa e sentir que eu me encaixo perfeitamente nela.
Mas vou sendo a pessoa certa, vou corrigindo erros desagradáveis e procurando melhorar nos aspectos que me incomodam, pra me sentir bem, pra me amar primeiro antes de amar alguém.
Vou esperar uma carta, um email, uma ligação, um esbarro numa calçada qualquer, um olhar em algum lugar improvável, um toque que faça a diferença ou um sorriso que me faça perceber que sou o motivo... Vou esperar não pelo tempo, mas por você.
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