sábado, 21 de dezembro de 2013

Rua Augusta

Eles haviam se encontrado depois de muito tempo.
Foi um encontro rápido, que aconteceu depois que ela saiu do barzinho da esquina e ia em direção à rua Augusta. Disse parecer não acreditar, ele estava tão mudado, havia cortado o cabelo e deixado a barba crescer, também parecia mais maduro, maduro até demais pra idade que ainda tinha. Era quase noite quando ele andava lentamente pela calçada e se deparou com uma figura conhecida. Arregalou-se os olhos de ambos, o sorriso abriu-se como da primeira vez que se viram, ela atrás do balcão e ele sentado na mesa. Uma batida mais forte e rápida começou a surgir no peito. Como poderia ter se passado tanto tempo e ainda sentir como estavam sentindo naquele momento?
- Você ainda trabalha lá? Perguntou o rapaz.
Esse não era o melhor inicio de conversa, mas ele não sabia como agir, suas mãos estavam frias e ensaiavam um abraço demorado, daqueles que as mãos alisam as costas suavemente.
- Não. Não trabalho mais lá. Desde que você se mudou pra outra cidade e deixou de frequentar, eu mudei, mudei de vida, de rumo.
Riram como crianças bobas. Ele se atreveu a dar-lhe o abraço que esperava, o abraço do qual ele lembraria pro resto da vida.
Ela estava com um semblante cansado, meio caído, meio triste com a vida.
Ele irradiava beleza, ternura e vida. Aquele encontro tinha mesmo que acontecer!
Conversaram por longas horas, enquanto caminhavam a passos lentos pela cidade, sem destino algum.
Ele falou das suas realizações e do quanto foi bom pra ele toda aquela mudança, ela ria a cada palavra engraçada e feliz que ele dizia. Enquanto isso ela chorava por dentro, mas tentou disfarçar.
Então chegou a vez dela falar. E ela preferiu calar.
Meio sem jeito ele perguntou o que havia acontecido com aquela moça alegre, e o porque de todo aquele silêncio.
Confessando com nós na garganta e com o peito quase explodindo, ela falou. -Ainda sinto saudades suas. Ele sentiu seus olhos ficarem mais úmidos do que o normal. Pegou na mão fina e delicada dela, olhando-lhe nos olhos disse: - vim te buscar!
Naquele fim de tarde fria, toda a dor dela havia sido esvaziada por uma frase, e todas as lembranças haviam sido vivificadas na memória.
Um amor assim, diferente, desprendido, sem interesses, sem pretensão. Sem desculpas, sem nãos.
A gente não encontra em toda rua, nem em um barzinho qualquer, só na rua Augusta.

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