quarta-feira, 19 de março de 2014

Amor x Guerra

Ele andava cansado, trabalhar o dia inteiro, ter que brincar com os filhos e namorar a esposa não era uma das tarefas mais fáceis pra ele. Na verdade isso foi se tornando cansativo a medida em que os dias eram rotineiros.
Ela estava constantemente estressada. Cuidar da casa, dos filhos, do marido e ainda trabalhar fora não era o que ela planejava viver quando pensou em se casar. Pensou acordar de bom humor, beijar o marido e chamar pra tomar o café junto com as crianças. Levar os pequenos à escola, ir para o trabalho e pegá-los de volta quando largasse... Uma ideia não muito distante da que vivia, mas de alguma forma, não tinha o mesmo efeito, estava deixando-a cansada mentalmente, sobrecarregada fisicamente e emocionalmente abalada.
Os filhos já não tinham a atenção dos pais e em meio aos constantes choros, ouvia-se de longe as discussões do casal.
Intolerância, orgulho, falta de ouvir... a situação piorava a cada longo dia.
Certa vez o marido decidiu se embriagar, típico de quem quer fugir dos problemas e só acaba agravando-os.
Ao chegar em casa, viu sua mulher no sofá, já sonolenta e com um semblante mais triste que o comum. Ele não deu a mínima, passou direto pra cama e dormiu. Ela permaneceu no sofá por um tempo chorando e depois foi dormir com um dos filhos.
Isso foi se repetindo algumas vezes e brigas violentas aconteciam. Era uma verdadeira guerra. Ela queria paz, e no fundo ele também, e lutando por paz, viviam em guerra.
O resultado foi a separação.
Anos se passaram, os filhos cresceram, e num certo dia em uma das raras conversas que teve com o pai, o o filho mais novo que agora já era um jovem rapaz, perguntou ao pai o que fizera tê-lo se separado de sua mãe.
Com olhos fitos e arrependidos ele disse: - queríamos estar certos, ninguém estava disposto a ouvir. Quisemos nos separar por não aguentar suportar o outro. Ganhando as batalhas, perdemos o amor.

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