quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Só qualquer coisa, qualquer amor.

-Ai! Não olha por onde anda, não?!
-Me desculpe, foi sem querer.
-Imagine se quisesse...
-Nossa, precisa ser grossa assim? Eu já me desculpei.
- Você só está desculpado quando eu o desculpar.
-Mais minha nossa! Garota, foi só um esbarrão. Precisa disso tudo?
- Hoje não é um bom dia pra discutir comigo. E você nem me conhece, pode ir embora.
-Tá louca mesmo. Vê se toma um calmante e tenha um bom dia, poço de ignorância.
- Já vai tarde.

(minutos depois...)

-Não acredito nisso.
-Você!?
-Aff, anda me perseguindo agora, também é?
- (risos) Eu não perderia meu tempo fazendo isso. Se percebeu, aqui é um lugar público, e acredito eu que venho aqui bem antes de você pensar em vir. Venho aqui pra pensar. Você vem pra quê?
-Pra perder tempo.
- Então olha pra frente caladinha, tá? Estou compondo, não me atrapalhe.

 (horas depois...)

-E aí? vai pra algum lugar que eu possa ir?
-Você tá me chamando pra sair, ou a paisagem te deixou mole?
-Não. Tô te forçando a me fazer um convite.
-Você é mesmo estranha... ainda pouco estava brigando comigo. O que aconteceu pra você mudar de uma hora pra outra?
- Nada. Nem me pergunte porquê.
- Vou pra casa, mas posso te deixar na sua.
- Prefiro ir pra sua.
-Você é sempre oferecida assim? (risos)
- Vai me levar ou não?
- Porque te levaria pra minha casa, menina?
- Já falei pra não me perguntar o porquê. É surdo?
- Se continuar me tratando mal, não levo você a lugar nenhum.
- Tá! Pode me dizer se vai me levar ou não?
- Te levo até a minha porta, mas não te deixo entrar, já estou ficando com medo de você.
Ela sorriu pela primeira vez desde que se conheceram.
-Medo. Medo?! De mim... ? mas sou inofensiva. Não se preocupe, nem querendo, eu faria algo com você.
-Está se perdendo pela boca, mocinha.
-Quer parar de me tratar como criança? Eu tenho nome. Não me chamo: mocinha, menina ou garota.
-Diz teu nome, então. Ainda nem nos apresentamos.
-Juliana.
- Oi, Juliana. Me chamo Breno. Muito prazer.
-O prazer é todo seu.
- (risos) Você me faz rir de tanta doçura.

(minutos depois...)

-Vamos?
No meio do caminho...
- Você se calou, está ainda mais estranha. O que houve?
- Estamos perto de chegar?
- Estamos sim, é bem ali.
Mais alguns passos a diante...
-Chegamos.
- Antes de me convidar pra entrar... Com quem você mora, é casado, tem namorada, ou vive com a avó?
-Moro sozinho. E não vou te convidar pra entrar. Você não é normal, muito menos confiável.
- Não me respondeu se tem namorada ou se é casado.
- Solteiro.

Sem exitar, o Breno recebeu um beijo surpresa, e ainda mais surpreso ficou seu coração, pois sem que percebesse correspondia-lhe o beijo e compassava as batidas junto ao coração da moça.
Era só o que ele precisava pra o momento. Pra aquele dia comum. Pra mudar sua rotina.
Não ficamos nós aqui, com muitas explicações do que aconteceu depois disso. Mas acredito que tiveram tempo de conversar e se conhecer depois que decidiram se permitir viver um louco amor e se desprenderem de razões e explicações. Porque o amor só é sano, quando é vivido à medida que pede o coração.
E a gente de expectador fica imaginado viver uma história como essa. Que confronta o conforto, tira do sonho a razão, destrói a dor, distrai e atrai,  faz do amor uma música.




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