
Se ajeite esse minino, que ocê já é um homi,
num brinque mais na rua,
num se esqueça da fome.
Vá trabaiá pra cumê, vai vivê de ilusão é?
barriga seca num dá força e sem trabalho, num come não.
Se ajeite muleque danado, largue de bestera
e dexe de ser inocente,
e dexe de ser inocente,
aqui só sabe o que é sofrer
quem no sol padece como a gente.
E no amanhecê a gente pranta, trás da terra o sustento,
E no amanhecê a gente pranta, trás da terra o sustento,
pra no dia que soprar o vento,
a tempestade num levar nois.
Aqui só chove quando num se espera,
de ano em ano na primavera
ou nos oios dos seus pais,
quem dera um dia ou tanto faz,
vê eu a água nascer do chão,
como quando se pranta fejão e depois colhe pra cumê,
quem dera um dia eu esquecer, toda tristeza do sertão
e ter na vida a razão de continuar a viver,
quem dera o gado num morrê, e erva num muchá,
para as criança se alegrar na chance de poder crescê.
Quem dera eu e você,
ser um pouco mais complacente,
Tirar do rosto dessa gente
esse sorriso infeliz
esse sorriso infeliz
sermos a palavra que diz,
que Jesus ama essa gente
e que ele faz diferente,
faz a vida mais feliz!
faz a vida mais feliz!
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